terça-feira, 20 de fevereiro de 2007

Do caso da briga com o silêncio: Garçom, me dilua em álcool, por favor.

Resumo objetivo, pra alguém entender sobre o quê as leveduras trabalham:

      Festa. Bebedeira. Conversas paradas. Bebedeira. Bebedeira. Saindo pra beber quase todo dia. Questionamentos à respeito de motivos pra viver. Perdido. Não conseguindo criar vínculos, ou sequer falar a mesma língua mais ou menos. Ressaca moral e mal-humor. Enfim...
Ilusões veleidosas e fugazes. Fogos fátuos em cemitérios de pele morta. Falhas no relevo; lamber feridas é bom, até melhor que talhá-las. Tudo muda. Eu preciso expressar isso de outras formas, depois.
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Descrições devidamente desenvolvidas:

      Ressaca. Ressaca estranha, por sinal... Ressaca moral.
      O corpo insiste em se manter embriagado, mais ou menos. O mundo se enebria numa névoa esquisita qualquer, esse ânimo exalado, ou esse refugo de ânimo que insiste em sair flutuando com suas cores de azul por aí. Eu tomo um gole de água atrás de outro, enquanto penso na dieta que eu tô fazendo: Cachaça e torrada, e uma coisa salgada ocasional na casa dos outros. E comida chinesa. Enfim...
      Outra festa engraçadamente... Troncha, como diz uma conhecida. Troncha é a palavra mais esquisita que eu já vi, na boa... É tão troncha que chega a ser um caso de definição circular; é tão troncho que chega a ser ...troncho.
      Enfim... O resumo da história. Fazem dois ou três dias que eu vou parar em lugares cada vez mais esquisitos, rápidos e devassantes. Acho que eu tô cometendo uma heresia, fazem dias que eu não presto culto ao silêncio e me dedico completamente a uma suposta esbórnia. O silêncio perdoa, e eu também ainda que com dificuldade; o que não perdoa é o universo, implodindo. Barulho é muito intangível. Sem pilares de silêncio, não dá pra se sentir, acho.
      Acho engraçado, talvez eu esteja tentando apenas me enganar. Desnorteado...? Não, o norte social é bem simples, e todas as bússolas e a rosa dos ventos insistem em apontarem em direção à garrafa de álcool diluído mais próxima; é uma questão bem fácil, o álcool é um ponto cardeal por si só, além de uma dimensão à parte... Ninguém acha realmente as mesmas coisas durante a embriaguez. Ou pelo menos eu não. Afinal, não é todo dia que decadentemente se começa um puta discurso à respeito de Xanadu, capital do império mongol (mais tardiamente uma parte da cidade proibida da china), e conceito sobre armazenamento de todo o conhecimento humano, porque alguém falou em músicas piratas do Dead Kennedys que são raras. Falando em unir o sacro ao profano... Acho que inegavelmente a cultura popular tem esse lado bem acentuado.
      Enfim, dada a quantidade de bebida no meu sangue, isso foi meio decadente. ¬_¬¡
      Dor de cabeça. Não dá mais pra falar. Ah, dá sim... Alguém já viu aquela camisa paródia da Nokia? Vodka - Connecting people.
      Poisé. Acho que é isso que eu tô procurando. Como diz uma pessoa de quem eu gosto... Acho que tô precisando de álcool pra tolerar os outros, senão o negócio não funciona. E ultimamente, tá Realmente chegando nesse naipe. Além do quê, eu detesto festas; ainda me pergunto "O que diabos está sendo festejado", aralho de casa.
      Verborragia. Algo não para de fluir. Ânforas e seus amores transbordam tal qual margens do tietê, vertendo igualmente uma quantidade de lixo, talvez. Ai ai.

Brasília, 20/02/2007, 12:49Pm

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