domingo, 16 de setembro de 2007

São 06:47 e vou procurando informações sobre um curso qualquer de faculdade. Toca um quase-jazz, é manhã de 16 de setembro de 2007, meu aniversário, e só falta um whisky com gelo, enquanto ao invés eu como um prato de macarrão queimado e salgado demais.

Decadência. Todo um gole de whisky de morango marca Ades enquanto continuo buscando alguma coisa sobre biblioteconomia, arquivologia, ou qualquer curso superior com concorrência baixa e que dê dinheiro. Já que vou ser a puta de alguém, é bom que pelo menos eu seja uma puta cara e cheia de luxos. Segunda caixa, segunda vez que a música repete. Droga.

Tá tudo estranho, é uma daquelas manhãs não dormidas de letargia, e ironicamente, o aniversário caiu justamente num domingo, dia mais letárgico da semana. Só faltaria estar nublado com neblida, enquanto eu tragaria meu décimo cigarro imaginário de macarrão parafuso com sal, e via as promessas de um futuro decadente e trancado; fixo. Faltam profissões, faltam opções, e me soa No Mínimo irônico que eu tenha que passar os próximos 60 anos da minha vida trabalhando com algo que eu teoricamente aprenderia pelos míseros quatro primeiros. Outro currículo, outra possibilidade, outra carreira morta abandonada, e eu pensando em no que trabalhar. Ai ai.

Desde que voltei pra essa cidade, tudo tem andado um caos, mas esse aniversário parece ser o ápice do caralho a quatro. Uma literal zona. E amanhã é segunda-feira, e vai amanhecer um dia vazio sem nada pra fazer em um espaço apertado, e nem sei se encaro outra ressaca. Ah, me deixem morrer, logo... Menos drama, #41.

Enfim, tá tudo um caos, um caos brincalhão e desanimado, como uma piada de humor-negro; auto-ironia se ironizando no refluxo de si mesma. Curtir o vazio da coisa toda ainda parece viável, ao menos. Enfim, ao inferno com tudo isso.

Planejamento de vida nada... Isso aqui é a encruzilhada onde o próprio cão mijou na placa pra demarcar território, isso sim. Ai ai.

E a manhã de domingo segue, na misturada embolada do motor dando falta da minha vida...

terça-feira, 28 de agosto de 2007

morro a cada manhã

Há quase um mês atrás as coisas quase tomaram um caminho perigoso. Talvez exatamente devido ao perigo iminente eu tenha despertado rapidamente. Não importa, na verdade. O que importa é Agosto. Ou o que resta dele.

Engraçado como estar bêbado ou drogado ou muito doente ou até há muito tempo sem dormir faz com enxerguemos o mundo de maneira diferente. Não só suas reações às coisas ao redor, mas mesmo as próprias "coisas ao redor" mudam. Você nota detalhes que não notava antes e, como numa troca justa, outras constatações que tomávamos como óbvias deixam de fazer tanto sentido assim. Não creio que seja nenhuma iluminação, nem nada disso. Eu ainda gosto da minha consciência aguçada. Mas acho que gosto mais de mim alterado. Todas essas culpas e pressões vão embora e me deixam respirar, sem precisar ficar justificando meus atos a mim mesmo o tempo todo. Mas o mais frustrante, é que tão repentinamente como chega, essa sensação se esvai quando acordo. Quando percebo que meu mundo diminuiu de novo para cerca de 8m² e uma ilusão virtual de infinitude.

Preciso manter essa percepção viva em mim constantemente, mas não sei como. Não sei como espantar esse fantasma cinza e monótono que me acorda todo dia dizendo: "bem-vindo de volta, sentimos a sua falta". Quando conseguir... então não precisarei ferir meu próprio corpo pra que ele me deixe viver.

Ainda há tempo, por favor por favor por favor deixa eu me ajudar.

terça-feira, 31 de julho de 2007

dia 6, 7, 8... : crônica de um desastre anunciado

Me faltou coerência, vontade, ânimo, coragem. Me sobrou cobrança.

Sinto quebrar novamente, mas eu sei o que é drama e o que é realidade. Sei bem do fogo que se pode brincar e daquele que mata. Sei que dessa briga só saio com todos os ossos quebrados, porque é a última que pretendo ter. O problema não é o resultado final, mesmo porque depois da tempestade sempre vem a calmaria e não interessa o quanto a tempestade foi forte. O problema não é o temor de que talvez não consiga o futuro que almejo. É a dúvida do agora, é o monstro da decepção. É abandonar minha imaginação. O mundo que que vive em mim e a realidade que finjo viver.

Não é mais tempo para sonhar ou brincar de ser feliz. O passado não é mais nada do que os fatos que me levaram ao presente. Nada mais. Quero o concreto na face, quero que a dor me persiga. Quero o universo conspirando contra mim. Quero ver do que sou feito. Não quero saídas, nem "jeitinhos", nem camas aconchegantes ou noites bem dormidas. Quero a humilhação, a perda, a falta, o baque no chão após a queda até o fundo.

Quero essa tragédia que me consome aos poucos. O pão sujo e podre que o diabo amassou.
Quero todo o som e toda a fúria. Se tem mesmo alguém aí em cima (ou embaixo, ou aos lados) que me leia agora:

me traga o inferno em vida!

domingo, 29 de julho de 2007

dia 5: despertar

Mesmo tendo aula pela manhã (ou talvez exatamente por isso) hoje foi um sábado muito mais ativo. Apesar de ser o mesmo maldito professor veado do semestre passado que vai dar essa aula de Geometria, o ambiente não poderia ser melhor: meia dúzia de pessoas, clima de "vamo terminar isso logo pra podermos ir pra casa", sem aqueles costumeiros seres falantes que querem fazer amizade até com a porta.

Andei um pouco pra voltar pra casa e acho que isso me fez bem também, me deixou quase com ânimo bastante pra ir atrás de um estágio hoje mesmo. Mas depois me acalmei e essa idéia me pareceu absurda de novo.

Finalmente penduraram no teto o saco de areia que tava encostado há meses aqui do lado. Tirei também uma das camas que tinha aqui e agora meu quarto é o lugar mais espaçoso da casa. Única coisa que falta pra eu voltar de vez à rotina saudável agora é o ânimo pra começar a correr e estrear meu tênis novo que ainda nem saiu da caixa.

À noite, resolvi voltar ao mundo social e ir numa festa na casa de um desconhecido. Depois de certa enrolação e um pequeno acidente automobilístico pra temperar os ânimos, chego no lugar, que apesar de pequeno é realmente perfeito pra festas. Não é muito de se espantar, levando em conta que Brasília parece cidade pequena, mas fazia tempo que não via tamanha concentração de gente do meu passado num só lugar. A maioria de um passado distante demais pra ao menos valer um "oi", mas mesmo assim é divertido olhar como a grande maioria não mudou nada.

Acabou não sendo realmente tão frustrante quanto eu achava que seria, talvez por que já esteja me acostumando com o fato de que em meio à panelinha das pessoas com quem fui pra festa minha personalidade fica nula e passo a ser uma das pessoas mais sem graça e desinteressantes da face da Terra. Não é que isso não me incomode mais, mas não perco mais o sono por isso. Como consequência, mandei às favas meus procedimentos pra tentar curar essa gastrite sozinho e enchi a cara, já esperando uma madrugada de pesadelos. Mas nada aconteceu. Talvez estivesse bêbado demais pra lembrar, mas a única coisa que doía hoje era meu dedo do pé que estranhamente tava todo sujo de sangue.

Preciso começar a estudar.

dias 3 e 4: tédio

Como eu previa, tive dois dias de férias pra quebrar o rítmo de início de aulas. E quando falo em férias, é férias mesmo... algo que não gostaria que acontecesse de novo. Não fiz absolutamente nada, só matei o tempo sem descansar e, pra piorar, esse lance de ficar sem café continua me maltratando. No fim da tarde tive outra dor de cabeça, dessas de pura abstinência, que dói entre os olhos e você não consegue se concentrar. Acabei indo deitar e dormindo até perder a noção do tempo... Acordarei no sábado.

quinta-feira, 26 de julho de 2007

dia 2: desânimo

Talvez tenha chegado rápido demais, mas é que essa sensação de atraso me consome de uma forma que é impossível resistir e continuar firme e forte. A aula de hoje à noite - que por sinal foi interminável, mesmo durando apenas 3 horas e meia - reforçou o que eu já tinha sentido nas aulas "para calouros" que tive ontem ou durante minha tentativa fracassada de voltar ao cursinho. Que os anos passam e eu tô vivendo a mesma coisa over and over again. Ao redor, um bando de moleques empolgados com o primeiro contato com uma faculdade e eu refazendo uma materia que já era chata na primeira vez que fiz, há cinco anos atrás.

Me sinto meio perdido ali no meio, como um aluno repetente mesmo. E começo a questionar todo esse lance de "uma nova tentativa" que imaginei com esse curso de computação, já que mal se passou um ano e eu já tô me atrasando, reconvivendo com esse ambiente de calouros. Mas eu sei que se eu ficar pensando nisso vou acabar desistindo, então tento me concentrar no eterno "agora vai!"

Anyway... a descobertas de hoje foram que 1) toda e qualquer beleza é ofuscada quando se tem a infeliz tarefa de ensinar Cálculo 2) ficar sem comer desde o almoço até o fim da aula acaba com qualquer possibilidade de funcionamento efetivo dos neurônios 3) o mundo de repente começou a girar mais rápido e os dias acabam cedo demais.

Amanhã começa meu fim de semana e tenho umas coisas (queseiquenãovoufazer) já planejadas. Prevejo um dia de morgação. Tomara que chova.

OBS: me dêem uma câmera digital e tirarei fotos do mundo!

dia 1: cansaço

E já acordei meio estressado. Acho que fui dormir tarde demais, sono conturbado... mas saí correndo até com mais disposição do que o normal, porque sabia que o dia ia ser longo. Me preparei com o mp3player da minha irmã e fui pra rodoviária em mais uma manhã sem cafeína. Voltar a pegar ônibus e ficar quase 1 hora sentado pra ir e quase outra pra voltar é desanimador, mas eu sei que tô pagando pelos meus erros, então não tenho muito do que reclamar.

Chegando lá, já a primeira frustração: passei meia hora enchendo o mp3player de música, mas esqueci de checar as pilhas. Ótimo. Só me restava admirar a paisagem urbana/rural da EPTG com seu som ambiente ao qual já me acostumei nesse último ano de Brasília-Taguatinga.

Metodologia Científica, enfim. De cara vejo que não vai ser um semestre normal quando percebo que tem mais de uma dúzia de mulheres na minha sala e a professora começa a citar Marx, Weber e já marcar, toda empolgada, seminários e grupos de discussão. Inferno. 2002 all over again... Pouco antes do almoço e meu dia se torna sensívelmente mais complicado, perdi minha carona pra aula da tarde. Minhas opções se resumem então a quatro horas morgando na faculdade sem Lovecraft ou mp3's ou outra 1 hora e tanto do infernal serviço público de transporte brasiliense. Meu masoquismo fala mais alto: ônibus. Pelo menos vou ter umas horas de descanso almoçando em casa.

Volto pra rodoviária e em seguida de volta à facul. O semestre átipico continua com Leitura e Produção de Texto. Parecia pedagogia. Tinha mais mulher do que vi no meu meio-curso de História todo. Eu não reclamo nem um pouco. Uma mudança de ares é tudo que preciso. Principalmente quando a aula é tão absurdamente maçante - já que o professor insiste em querer ensinar "como se ler o Correio Brasiliense" - que admirar a pintura ao redor é um colírio. E quando ele começa com o papo de seminários e trabalhos em grupo, a idéia já nem me parece tão ruim assim.

Mais uma pequena viagem e finalmente em casa. Me sinto no direito de me presentear com o primeiro café de verdade da última uma semana e meia... e não deu tempo nem de saborear o momento, percebo que foi um erro. Azia, dor, preciso de um médico.

A noite cai e acabo tendo que ir no shopping pra poder aproveitar uma carona pra ir novamente à faculdade, pois decidi que já tive o bastante de ônibus por um dia. Perambulei um pouco por lá e logo me encontrava no campus da Asa Norte, que é logo aqui do lado, pra variar um pouco. Já com meu ânimo começando a me falhar, começa a aula de Cálculo, com uma professora (!) super gata e provavelmente ex-gaúcha. Certo. Talvez sejam os deuses tentando recompensar minha força de vontade. De qualquer forma, apesar de não ter tido muito de aula e muito possivelmente ter batido o recorde distrital de horas-seguidas-sentado-fazendo-absolutamente-nada, cheguei em casa morto de cansaço, mas com uma sensação de dever cumprido.

Bom começo, apesar dos pesares.

OBS: não tenho habilidade pra bater foto de mim mesmo caído na cama.