terça-feira, 12 de junho de 2007

another valentine's day.

hum. Eu nunca soube começar um texto. Mas esse negócio de falar enquanto o outro não pode retrucar, é tentador! Hoje eu lembrei como já fui romântica. Quando eu acordava uma hora antes da aula realmente começar, só pra tomar banho, passar o uniforme, procurar meias limpas (eu usava meias limpas!).

Pensando bem, tempo bom mesmo era quando eu abria minha lancheira (hetero) do bambi e pegava o misto que de quente não tinha nada, mas por isso eu não precisava dividir com ninguém. Era quando eu só dormia na escola e fingia que tinha nojo de garotos.

Deixando o saudosismo de lado, não acho totalmente ridículo saber que há casais ai fora conversando, brigando, se beijando (e ouso parar por aqui)...tudo isso ao som de "Spending my time". E outros rodando e se descabelando sem saber se compram uma camisa, um relógio, um perfume, um chaveiro. Isso mostra que não foi todo mundo que perdeu a fé nas coisas. Mas enquanto eles sentem aquele frio na barriga digno de feriado internacional, eu só acho que o sol nasceu mais cedo e o leite tá muito caro.

As coisas passam realmente rápido. É clichê, mas passam. Não importa se a vida tá sendo divertida ou não, ela vai voar como no tempo em que eu acordava cedo e tinha o que fazer. Então, não quero jogar areia na felicidade dos outros, longe... Mas a questão é: tá feliz? Que bom, aproveita, porque talvez amanhã você não tenha a mesma sorte. Tá pra baixo? Escolha mudar o status mais rápido,ou não. Tá apaixonado? Boa sorte!

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Um começo, e parte do meu desespero

Olá, pessoinhas. Finalmente venho cá me juntar a vocês. Enrolei, enrolei, arrumando desculpas, sendo a principal o fato de que ultimamente só reclamo, não sei falar nada muito animador. Estou aqui hoje escrevendo, não porque isso tenha mudado, mas é que tomei vergonha na cara mesmo.

Minha faculdade está em greve e pensei que aproveitaria esse tempo para colocar tudo em dia. Obviamente, meu plano falhou. E para piorar consegui arrumar ainda mais coisa para fazer, mais coisa para me desesperar. Há indicativo de que as aulas voltam segunda e isso me faz perder a respiração quando penso nos zilhões de trabalhos e coisas da pesquisa que tenho que terminar. Seria mais fácil se jogassem uma bomba na reitoria e os estudantes decidissem batalhar ainda mais firmemente, por tempo indefinido. Sim, eu sei, extremamente egoísta. Preciso de algo que me faça mover. Eu, sozinha, só fico com a intenção.

As coisas na minha casa pioraram de tal forma que não consigo sequer pensar no que está acontecendo. Tento escrever?, para organizar? - pois tento. Brigas e brigas, infinitas brigas, intermináveis brigas, esgotantes brigas, desgastantes brigas. E não é de hoje... Só que agora parece que pioraram. Tenho sofrido tanto com isso, mas às vezes me pergunto se isso não é um pouco egoísta também, dado que me preocupar em demasia com esta situação me faz desviar o pensamento dos outros problemas (aqueles criados por mim mesma, ou que sempre tem sua solução adiada). Não importa. A questão é que pioraram. Meus pais vieram nos visitar uns dias atrás, acabaram com o humor de todo mundo. Dois dias depois de terem ido embora encontramos uma carta, belíssima carta, poderia concorrer a algum prêmio de literatura por sua formalidade... Encontramos uma carta escrita pela minha mãe na qual ela nos culpava de tudo, de toda sua infelicidade, de toda desgraça que vem ocorrendo na família. Engraçado que enquanto nós sofríamos desde crianças só agora isto se torna aparente para ela e meu pai, e os culpados somos nós. Um absurdo. Coincidência ou não, nesta mesma semana meu irmão voltou a se cortar - e, acredite, ele não faz isso por prazer. Estranho é pensar que nessas horas não tenho para onde correr. Pensei em conversar com meu pai mesmo, já que está incluído na situação e é talvez o mais sensato da família. Mas não, como pedir ajuda a alguém que também foge?, que não consegue olhar para a situação?, que não parece querer mudá-la? Estava ontem jogando quando ele conectou, falou que um outro jogador poderia me ajudar (eu estava começando um novo personagem), e lá fui eu conversar com o tal. Conversa esta que fluiu muito naturalmente, e me agradou, até o ponto em que descobri que o tal jogador é na verdade uma mulher casada que mora aqui na minha cidade. Como se não bastasse, o casamento da tal parece estar enfrentando uma má fase. Beleza, hein? Troféu joinha pra vocês. E enquanto isso, me desespero aqui, ando de um lado pr´outro e não consigo resolver nenhuma das questões que dizem respeito a mim, tão somente.

Ai ai... Desculpem-me se começo a postar assim, e se tenho fugido do MSN. É que realmente não ando com cabeça. Quero fugir, apenas fugir. E acho que é isso que acabarei fazendo, a final, se não conseguir manter a calma e ser sensata (está difícil...).

terça-feira, 5 de junho de 2007

movimento eterno


É, eu sei o que disse sobre tentar melhorar, sobre tentar ficar longe do álcool nas manhãs não-produtivas desse semestre desastroso... Acontece que não tenho mais o que fazer mesmo. Minha natureza... ou whatever. Eu devo tá entrando numa dessa fases anti-sociais em que me isolo, trancado no meu quarto, falando só quando absolutamente necessário.

Anyways... eu tento aproveitar meu tempo perdido - quando mato todas essas aulas durante a semana - lendo. Mas a diversão maior, eu confesso, tá em observar o mundo ao meu redor enquanto saboreio o néctar dos deuses holandeses (se é que eles tinham alguns - deuses digo, não néctares). Normalmente eu sento em frente a um salão de beleza chamado Cris Arts (é, chique assim mesmo) e Festas - obviamente, uma puta placa gigantesca que pertencia ao estabelecimento que faliu antes do início dessa empreitada narcisista.

Apesar do propósito do local, não há nada muito belo a se observar além de gordas estranhas tentando dar um pouco de esperança a outras gordas não menos decadentes. Na verdade, até tem uma atendente bonitinha, mas dificilmente com atributos quaisquer suficientes pra me fazer sentar quase todo dia no mesmo local pra admirar seus dotes.

Não, o que me atrai no local é o movimento. As pessoas simples. Os transeuntes incautos. O dia-a-dia em sua forma mais despreocupada. É aquela velhinha na cadeira de rodas, empurrada por outro velhinho (provavelmente o marido), que enquanto a move, segura também sua mão, com uma intensidade e convicção que me faz pensar que talvez o tempo não seja um inimigo assim tão amedrontador como costumo imaginá-lo. É o entregador de água, já nitidamente cansado do seu trabalho, que vai rolando seus fardos de 20 litros, chutando-os pelo chão, até o local de entrega que não poderia ser outro além do mesmo salão de beleza. Salão esse que presencia ainda a investida de outro simpático idoso. Mas esse com seus bons 80 anos, bengala em riste e andar "lesmico", de quem já viveu o bastante pra perder esse receio de passar vergonha e cantar todas as jovens "beldades" do local. Ele sai com os mesmos passos lentos com os quais chegou, mas um sorriso jovial, que parece lembrar a época em que aqueles floreios lhe rendiam risos furtivos e envergonhados de aprovação de suas musas.

Acho que isso é a vida. O movimento eterno, caótico, para todos os lados, sem medir consquências. A natureza e seus microcosmos como o salão da "esquina" da 209, que acaba resumindo boa parte da aventura da existência humana. Nesas horas me parece difícil entender a tristeza.