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Acho que é a terceira vez que reescrevo isso. Seguindo a sugestão do companheiro de blog, tenho tentado ser mais conciso. Bom, vamos tentar seguir a fórmula pelo extremo.
Briga. Dor. Tristeza. Desprezo. Isolamento. Vontade de que entendam. Vontade... óbvia de machucar. De esmiuçar feridas. De desenvolver toda possível dor.
É engraçado uma coisa no comportamento humano... A tendência de que o ser é algo meio espelhado, de que numa dinâmica com duas pessoas, impera a dinâmica e se esvai o individual. Realidades consensuais ( ...essas vis! ) se formam, e entre um conceito e outro, se criam bem-estares e obviamente, melindres. Que diferença faz, jovem menina, se sua mãe olha pra você, quando você chega de noite da rua, e te chama de vagabunda aos gritos? É apenas uma pessoa falando, não...? Por que há tanta energia empenhada nisso, digo, em se proteger desses conceitos ofensivos? Bom... Acho que aí está a resposta: A opinião cria.
Acho que pior mesmo do que ser xingado, nesse caso, é ser ignorado... Ser nada. Pra um ser que passa a se ver como nada, como é a sensação do enxergar? Do existir...? E mais importante: Do Não-existir...? Acho que é uma sensação avassaladora, que acaba por criar uma dor imensa. Bom, eu já não sou mais uma criança... Eu tenho a noção que longe do corpo social, eu ainda existo, mas e quando é alguém importante? Ou alguém de quem, no fundo, só queria atenção e ser entendido...? Acho que tudo fica mais difícil ainda.
E não que isso seja necessariamente bonito ou digno de um abraço apertado, minha dor é feita de farpas e delas me torno porco-espinho... E enleado em seus caprichos de expressão, de querer tornar-me real, de ver que minha dor existe, quero abraçar a quem falo se esse não reconhecer minha existência, quero tornar-me real, quero abraçar àqueles a quem eu desejo atingir e me fazer entendido... Quero que entendam minha dor. E que melhor maneira de fazer isso que não obviamente talhando feridas horrendas na carne de pessoas? Oras... Não seria a vingança nada mais do que um instrumento, bem eficiente, por sinal, de comunicação? Não, nunca é pra deixar as coisas quites, é sempre pra deixar bem claro que doeu, e acima de tudo, Como doeu. Nada dessa de piedade...
Se gosto? Não, acho que não... Toda habilidade de sentir ódio é uma maneira simples de negar o fato, de que uma pessoa não presta e coagí-la ao prestar. Oras, é mais fácil simplesmente aceitar que o outro não é aquilo que se deseja. Mas se fosse tão simples assim... E não, não é. Acaba mesmo que eu queria ferir, queria ferir até que chorassem, até que gritassem, até que sentissem quão ensandecedora pode ser a dor que eu carrego todo dia... E aquele impulso já insano instingando qualquer possível destruição implorava por todo sangue que pudesse ter, e se não pudesse ferir alguém, eu sabia que, aos poucos, se não desse vazão ao meu afã compulsivo de machucar, de criar dor, que aquilo devoraria a mim mesmo, que me devoraria a carne, de dentro pra fora, por noites e dias afins, que ficaria lá, como uma frustração purulenta e cancerígena a eternamente me destruir.
Não, antes disso, eu faria alguma coisa... E se não pudesse ferí-los, iria ferir a mim mesmo, sob qualquer forma, a sede não se importa de onde bebe desde que molhe à língua e lábios. E assim foi feito. A agonia tremenda passava... Sentia alívio e satisfação imensos, havia machucado alguém.
Um fato engraçado é que não dói em nada um corte desses, é até mesmo prazeiroso; como disse, um alívio. A impressão que eu tenho é que seria muito mais insalubre manter isso preso, como que a um impulso quase primordial reprimido. É extremamente mais salutar apenas dar vazão a isso do que manter tal agonia remoendo o eu interior de forma incessante. No final das contas, eu só fiz o que precisava pra não enlouquecer. E se nem Meu corpo mais eu posso machucar, oras, que o mundo vá à merda. Fiz isso não para sentir dor. Muito pelo contrário... Senti foi prazer...
sexta-feira, 6 de abril de 2007
Sobre o machucar.
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#41
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Observações finais e desabafos aleatórios:
Obs.: Esse post se relaciona ao post acima. Foi dividido apenas por questões estéticas.
* Vale ressaltar que talvez, seguindo a mão dupla do efeito de projeção, ou a maneira como a dinâmica interpessoal se dá, talvez seja uma maneira de fazer a outra pessoa sentir dor. Eu não acho que seja isso, eu só queria machucar a mim mesmo e sentir dor pra caralho, e foi feito.
Talvez nisso eu tenho usado aqueles dois muio mais do que qualquer outra, se eles não me machucavam, bom, eu faço o serviço eu mesmo. Whatever.
* Tive uma conversa de péssima qualidade com uma "amiga" sobre essas coisas. Tirando o fato que ela fez questão de contestar tudo que eu sinto e negar essas coisas (claro, tão bom quanto o padrão de cima, exatamente o que gosto quando quero sentir alívio ¬¬'), em um momento eu propus um conceito de autoria própria, chamado "identidade funcional" ... Ela disse que "Você deve se achar muito inteligente, não, #41, pra criar conceitos próprios? Vai ler, alguém já deve ter criado isso!" Tipo... COMO ASSIM, Será que agora eu preciso que a academia Beije minha bunda pra poder pensar!?!?!? CARALHO, minha filha, você que é Burra se precisa de livros pra poder pensar em algo...!!! @$#@#Û*@(#$%*#@$(& ¬¬'
Algo me diz que existem maneiras mais espertas de chamar alguém de metido. Puta que pariu, eu podia ter vivido sem essa, até porque eu realmente tenho vontade de parar de pensar, agora. Caralho, vai se fuder.
* Uma mulher que faz aula de japonês comigo não se sentiu muito entusisamada pelo fato de eu falar com toda franqueza que o corte foi auto-flagelação. Eu em geral não me importo muito em querer esconder isso, até porque acredito que daí sim seria admitir que há algo de errado com os cortes... Por outro lado, acho que é difícil pra alguém encarar algo desse naipe sem um posicionamento pessoal; Parece que expressar dor de repente é proibido, como se fosse um ato anatemizado reclamar. Se você chega a pontos de se cortar e deixar bem óbvio a própria dor, oras, vira questão de que se quer chamar atenção... Ah, claro, como se não fosse você que prestasse atenção por conta própria. Quer dizer que eu preciso atentar à sua ira caso você se sinta compelido a prestar atenção em mim por um descontrole incoveniente da sua parte!? Velho, quer saber, você que se exploda e que meu pau cresça. Alias, porra nenhuma, que meu ego cresça mesmo, já que é pra algo crescer. Puta que pariu, até mesmo a expressão ficou institucionalizada, moralizada e regulamentada...! Como certa vez fez um par de bêbados Bem eloqüentes:
*vira pra civilização e grita*
VÃO SE FUDEEEEEEEEEEERRRRRRRRRRRRRR!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
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#41
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quinta-feira, 5 de abril de 2007
those good ol' days

Que preguiça de começar isso, mas vamo lá... Finalmente voltei ao mundo dos (mortos-)vivos, das bebedeiras e das coisas mastigáveis. Tenho tentado aproveitar isso, mas não tá sendo tão satisfatório quanto achava que poderia ser. Oh well, acho que reclamaria de qualquer forma né? Preciso parar com isso.
Recebi minha segunda prova do semestre e... *tararam* tirei 10,6 de 10 (sim, desfiando a racionalidade!) na prova de Lógica Matemática e comecei a fazer novos planejamentos: preciso passar pelo menos em mais uma, Geometria Analítica, pra poder salvar o semestre do ridículo. Ficaria com 50% de sucesso, o que é feio, mas não desastroso. Acho que vou desistir da aula de programação mesmo, trocentos trabalhos pra fazer, sendo que eu sei que vou reprovar de qualquer forma. Irei estudar pra prova final e seja o que Rá quiser.
Esses últimos dias bateu uma onda de nostalgia, voltando a escutar coisas antigas, "roqueirar" e, basicamente, me acabar de saudades do passado (que nunca foi tão bom, mas sempre parece melhor que o presente). Voltei à rotina de bares, pessoas estranhas e ressacas. Tudo sem nenhum propósito além de entorpecer a mente e acalmar os ânimos. E domingo, no auge dessa onda revival, me deixei convencer a fazer um desses programas que todo bom roqueiro TEM que fazer pra ganhar seu certificado de "true" e que era uma lacuna no meu histórico: ir beber no cemitério de madrugada. Desenterrei meus coturnos pra ocasião especial, compramos vinho, pinga e invadimos o local o mais discretamente possível. Tinha me esquecido como é bonito e tranquilo por lá. Tá certo que foi tenso ter que ficar se escondendo dos seguranças o tempo todo, mas acho que o risco de ser pegue é que dá emoção à coisa toda. Bom, no final das contas, foi divertido e voltei pra casa com uma sensação de leveza que rendeu até o dia seguinte.
Achava que isso tinha fechado o ciclo com chave de ouro, mas ontem ainda me reservava mais uma bebedeira sem noção que realmente me destruiu, mas me fez ter certeza que agora sim basta. A hora de uma nova perspectiva is at hand. Sem afobações, vou tentar deixar acontecer. Tô pronto de novo pra viver no presente.
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vaziø
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"Why does blood turn brown when it dries...?"
Talvez eu tenha tido um vislumbre estranho de vida, ontem... Pensei na situação que ocorreu como um momento genuinamente especial, que talvez tenha enriquecido meu dia de uma forma que eu jamais vou conseguir repetir, um momentinho único e singelo que a vida me deu de mão beijada, alguma coisa diferente, um detalhezinho pequeno que realmente soou como algo que fez a diferença.
É estranho pensar isso; especialmente me considerando... Como assim, alguma coisa desse tipo tá me deixando feliz? Isso normalmente não ocorre... Bom, eu achei que foi um momento de contato com humanos, e foi engraçado... Algumas cenas, visualmente falando, poderiam dar ótimas tomadas de algum filme...
Bom, aos fatos: Ontem saio de casa extremamente irritadiço e "com o pé na vala", por assim dizer, e nem queria ir pra aula, mesmo. Fui mais pra não levar falta; até de chinelo (sendo que eu ando de moto) eu fui. A sensação do chinelo em si não é tão ruim, porém, hehehehe, especialmente naquela faculdade infernal, tanto humanamente quanto na velocidade das moléculas do lugar... Bom, saio bufando, irritado. Por que Papai Noel não me dá uma BFG9000? "Dê-me uma arma e hei de limpar o mundo...!"
De qualquer forma... Aula de tradução; eu estava mais que sem saco pra assistir aquilo. Fui praticar digitação no meu notezinho versão celular; digitar nele pode ser desafiante, hehehehhe. Fiquei escrevendo o texto abaixo... Demonstrando como eu me sinto chateado com esse paradoxo:
"É impossível resolver um problema de solidão sozinho". Acho que essa é uma das pedras fundamentais da minha problemática. De qualquer maneira, fiquei a escrever e falar alguma asneira na aula, sobre como o português ou o inglês funcionava.
Após a aula, é que veio a parte engraçada da coisa... Saio pra terminar de escrever um texto, o que acabo por fazer. Quando encontro uma professora de japonês conhecida. Ficamos falando sobre meu humor menos do que agradável... Achei estranho, imaginava que ela não teria muito interesse no meu humor; talvez ela tivesse com paciência no dia, hehehehe. Li o texto, e de lá começa uma conversa engraçada sobre o mesmo... Sobre o papel da persuação da conversa;
Ela defendia que era possível exercer vontade diretamente em alguém; digo, alterar a realidade de uma pessoa por meio de argumentos. Eu acredito que a pessoa seja a totalidade da realidade, e que sem pessoa, não pode haver realidade, então a realidade necessariamente só pode ser alterada pela Pessoa em si, ainda que sob a influência de argumentos convincentes. Isso tem um pouco de "ovo e a galinha", e de discussão da sexualidade de metatron, mas eu dou mais valor ao último ponto. Ficamos nisso.
Estávamos num banco... De repente, chega o namorado dela. Bom, pessoa agradável, eu achava, ainda que com uma dificuldade de compreensão; talvez provinda do fato de que ele tentava ajudar o meu humor menos do que não-lugubremente contemplativo. Daí a conversa ficou ainda mais interessante.
Sentia-me numa espécie de berlinda; eu no meio, e o casal em cada um dos meus lados, tentando me expôr maneiras de vida. Achei engraçado como o rapaz falava de filosofia e questões relacionadas a mente, a aceitação da dor, e nesse ponto Realmente o achei interessante, mas muito ironicamente, heheheheheeh, acho que ele não estava se dando conta do que estávamos falando sobre, ou que sequer os pontos que ele expunha eram coisas que eu já havia debatido pelo menos mil vezes com uma certa pessoa que gosta de vazios, comigo mesmo, e às vezes com alguma outra pessoa.
Normalmente, teria sido Extremamente enfadonho ver alguém me subestimando dessa forma, mas como eu estava sendo o centro das atenções, e vendo os dois pagarem um Ultra-mico, em não notarem o que eu estava falando de Jeito Nenhum, hehehehe, eu deixei a situação progredir... Acabou numa conversa sobre Sartre e liberdade. Acho que foi aí, que ou o rapaz desisitiu (triste pensar nisso, mas ele estava conduzindo mais a conversa; a menina mais ouvia do que falava, talvez uma tendência desses namoros cheios de dominação, proteção e ego; ou não)... Mas um pouco sobre a conversa em si.
Toda a conversa rodava em torno de exemplos, de situações propostas, que os dois tomavam como literais. Como propostas sobre como o amor pode ser tão voluntário que chega a ser involuntário, o que eles tomavam como uma tendência minha a não aceitar alguma paixão que eu tivesse; logo depois, tentar explicar que eu não me conformo com a existência da solidão e como eu não tenho opção sobre isso, coisas que eles viam como eu reclamando que estava sozinho. ¬_¬¡. Nesse aspecto, por mais gentis que eles fossem, realmente, santa tapadice². Acho que nesse aspecto, a questão de um querer ajudar não colaborou muito com o que eles poderiam ou não entender de mim. De qualquer maneira, a conversa saiu desses tópicos, até enfim entrar em Sartre, que foi quando eu acho que eu consegui me fazer entender.
Depois de uma pequena exemplificação do que Sartre pensa sobre liberdade, e uma idéia sobre saúde mental bem complexa, num mundo onde só existe bem estar pro paradigma vigente da ciência, acho que consegui demonstrar meu ponto: O rapaz falava sobre liberdade... Que tudo era de certa forma bonitinho, e em especial, voluntário. Bom, eu falei que resumidamente, a liberdade, matematicamente falando, existe em função do poder, e que agora, um ponto em especial, é notar que o ser humano é necessariamente Condenado a essa liberdade, e isso é uma condição imutável do mesmo. Foi aí que eu acho que o mané entendeu meu ponto; eu não gosto das condições impostas sobre mim mesmo, porque é necessariamente humilhante saber que há coisas que são imutáveis e sobre as quais eu não posso nem sequer reclamar. Depois disso, não sei se ele desistiu de tentar falar sobre isso, se estava com pressa, ou se ficou irritado por finalmente entender o que eu estava falando com eles havia 30 minutos, e eles só falando abobrinha a respeito, hehehehhe. Foram embora logo após, de mais algumas falas do gênero "viva com seu problema, você vai ficar Bem". *vomita*
Acho que algumas coisas não têm solução de forma alguma, e bom... Não necessariamente toda dor tem alguma resposta, anestésico, ou sequer a necessidade de necessariamente ser sanada; algumas coisa existem e são válidas por si só. Acho que nesse ponto, posso seguramente adicionar que aqueles dois tinha Seríssimos problemas com a falácia conhecida como "wishful thinking"; eles pensavam demais em bem-estar e BEM MENOS do que deviam em ciência, em verdade, em sondar o mundo à suas voltas. Nisso, eu posso falar com certeza ferrenha:
Minha conclusão é que entre se sentir bem e viver uma vida bonitinha, eu prefiro me ocupar daqueles pequenos paradoxos cotidianos, os que não têm solução firme nem sequer podem ser resolvidos, e que necessariamente Hão de trazer angústia... Mas que por outro, também são verdade, e, ao serem ignorados, acabam por esconder uma parte bem rica da realidade, e que por mais que não sejam agradáveis de serem contemplados, me soam menos medíocres do que o bem-estar pelo bem-estar em si; Rapaz, esse negócio de viver preso a uma sensação de bem-estar não tá com nada, o interessante mesmo é o transitar.
Não que ironicamente eu não goste de tristeza, mas é o que penso a respeito. A situação inegavelmente foi destoantemente agradável, e nisso, hehehehehe, eu fiquei até um pouco feliz, talvez pelo conjunto todo, talvez por pensar que seria uma memória agradável, uma nuância que faria daquele dia diferente de todos os outros.
E por sinal, aquele dia Foi diferente de todos os outros em vários aspectos positivos, que me agradaram e felicitaram. Conversas noturnas de valor, dias de pensamento, jogos que me faria pensar, eu entendendo um pouco da humanidade... Ah, ontem foi um dia imenso, com várias horas em que realmente o tempo não apenas passava, mas era devidamente empregado. Mas isso já são outras história prum post quase de mais de cem linhas. ;)
Abaixo, o texto.
Ps.: Depois eu reviso e publico isso aí embaixo direito; tá bem cru.
Pps.: Alguém me deve alguns cortes. Eu vou cobrar, sem a mínima cerimônia, hehehehe.
_________________
Conversas aleatórias; liberdades e desistências. Não dá pra mudar o mundo interior de alguém, senão por meio da própria pessoa, e é nesse aspecto que mesmo o mais altivo tirano reconhece que não há de obter para si o poder de dobrar vontades, senão por mérito das fraquezas das mesmas. E assim mesmo que o mundo se apresenta aos seres cujam peitos se inflam em enaltecimento a si mesmos, o corpo muito mais um espelho e um desenho, um retrato, do que necessariamente o si.
Eu às vezes gosto de ver o mundo pelo meu lado, e sempre acabo reconhecendo o tamanho do meu mundo, o fim da minha pele, uma barreira intransponível com a qual eu invariavelmente me choco, como que no encontro diário marcado de um ser que constantemente se opugna aos limites da própria demiurgia. E como o planeta não se torna aquilo que eu desejaria, vejo a realidade como uma experiência alquímica de fósforos e chumbo, como que em cores selvagens e dispersas de uma reação hermética alheia ao meu controle. Oras, a questão é sempre o tratar com humanos, os seres livres que humilharam o sentido com seu vazio, essas criaturas indomáveis que até mesmo na submissão demonstram soberania, é por si só também humilhante, pois é aí que se nota a falta de opção patente no associar o próprio regozijo com esses bastardos da estase, que mais demonstram sua linhagem suja e maculada do parentesco vil com a caótica mudança, pois em suas eternas inquietas vontades e caprichos, fica deprimentemente óbvio se se fica sujeito à vontade do outro, ao capricho alheio, à forma triste e vulnerável como a felicidade dos que almejam e planejam no campo do humano é sempre uma cooperação e nunca e jamais um mérito próprio, eternamente uma situação de submissão e nunca uma per-si conquista. Ah, aos que planejam e dispõe sua felicidade e realização no campo das vidas humanas, lembraivo-nos de vossa intrínseca sujeição nesse mundo; pode ser um mundo bem triste a aqueles que mais sabem realizar sozinhos do que em grupo, ou àqueles que jamais aprenderam a viver senão sós. E em tal mundo, mesmo na altivez, há eterna incompletude, inonipotência, e solidão. Aprendei-vos com vossa solitária e inquestionável divindade... divindade... E, ao andar entre deuses... A subsequente e inegável pequenez.
Brasília, UnB, 04/04/2007, 06:05Pm
- S.
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#41
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