quinta-feira, 22 de março de 2007

flesh and blood


Demorei pra voltar aqui por pura falta de ânimo. Os últimos dias não tem sido muito agitados, principalmente agora com 4 dentes a menos (não rolou de reunir os pedaços do quarto pra aparecer na foto) e uma cara inchada a mais. Bom, pelo menos acabou e foi realmente mais rápido e fácil do que eu esperava (tnx dra. Andreia). Parece que no fim das contas eu tava realmente preparado pra coisa toda, depois de tanta expectativa. Pro que não tava preparado mesmo era pro pós-cirurgico. Achei que seria o de menos, mas 48 horas depois eu me pego vendo Land of The Dead e ficando com água na boca vendo os zumbis comerem todo mundo. Eu quero carne. Ou pelo menos qualquer coisa mastigável. E eu costumava a gostar de sorvete de flocos... mas juro que se comer mais uma tigela disso eu vomito.

Me sinto fraco, doente e essencialmente inútil, mas pelo menos o mal-humor foi embora, junto com as dores ocasionais, agora é plenamente tolerável e hoje até tomei uma espécie de sopa fria. Devo passar os próximos dias curtindo minha morgação vendo o maior número de filmes que puder, tentando deixar o fato de que deveria tá estudando bem escondido no fundo da minha cabeça.

Ah! Falando nisso, recomendação da semana é A Scanner Darkly. Primeiro filme longametragem vetorizado que eu vi e o roteiro é bem interessante, baseado na história de Philip K. Dick, mestre da ficção científica futurista/conspiracional.

Mas de volta aos estudos, fiz minha segunda prova do semestre na segunda, de lógica matemática, e incrivelmente fui muito bem. Pelo menos acho que essa não vou precisar repetir. Tirei 1 de 10 na prova de programação (yay!) e agora sou obrigado a comparecer às aulas de monitoria, que falando nisso, não faço idéia de onde e quando são. Mas, se minha sorte não mudou, não duvido que seja aos sábados, no mesmo dia em que acaba meu prazo do atestado médico...

Mas pessimismos à parte, me sinto bem por ter deixado essa obrigação pra trás, posso seguir pras próximas agora: aprender a andar de moto, ler as dezenas de livros que compro e nunca li, estudar toda a matéria atrasada, voltar a fazer exercícios regularmente, ajeitar meus horários, arranjar um emprego... ou posso voltar pra cama e dormir.

É. Segunda opção, por enquanto.

segunda-feira, 19 de março de 2007

Party for One.


- What are you doing tonight?"
- Oh, I'm throwing a party at my place.
- Really? Can I come?
- Oh, sorry. There's only room for one, and two is crowd.
*Wtf?*

Acho que eu me sinto assim. Dei uma festa pra mim hoje, comprei pizza, joguei videogame, e acima de tudo, fiz questão de tentar evitar falar com os outros. Ironicamente, é bom fazer isso. Me faz me sentir um pouco mais pleno, além de ser uma maneira de lidar com o que sinto.

Acredito plenamente que seja necessário sentir desejo, mas um desejo só se deve ser cedido a si mesmo quando ele estiver em conjunção com a vontade. Não quero ser um escravo de meus afãs.

A maioria das pessoas, quando busca companhia, busca se tornar pleno, busca enfim se tornar 1. Quando busco companhia, ainda que acabe me tornando 1, sempre procuro companhia, sempre busco um outro ser, para atingir 2. De completudes e de números, eu sou o ciclo infinito, e sendo sincero, eu gosto de me bastar. Procuro companhia; não uma unidade que esteja além de mim. De fato, a unidade não está além de mim. Eu atinjo unidade em mim mesmo.

Ps.: Desculpa a tendência a passar tempo sem postar... Tenho muita coisa a dizer, mas eu tenho me sentido diluído por ter passado muito tempo em contato com os outros; fora de equilíbrio. Estou resolvendo isso, como acho que fica claro aí em cima, hehehehhe. Leio seus posts mais tarde.

terça-feira, 13 de março de 2007

yeah, we care a lot!


C. Minha nova língua. Ou pelo menos deveria ser se eu não tivesse tão ocupado fazendo nada o tempo todo. Ou talvez se tivesse um pouco mais de direção na vida. Mas bom, vamos encarar os fatos. Posso não saber ainda quem sou, mas tenho uma vaga noção de quem não sou.

Hoje fiz minha primeira prova do semestre, e posso dizer com a mais absoluta certeza: me fudi estupendamente. E logo no assunto que eu (ainda) suspeito que seja "minha área", a programação. Mau sinal. Semestre passado eu não me dediquei nada, mas deu pra levar aos trancos e barrancos, basicamente pela facilidade das coisas. Esse semestre tô me dedicando menos ainda e as coisas complicaram numa progressão geométrica. Ainda há tempo... pouco, muito pouco, mas há. O problema real é que começo a sentir aquele sussurro abafado, mas desesperado, no fundo da cabeça dizendo: "o que eu tô fazendo aqui?!" ...e, segundo minha experiência, isso é um prelúdio pro tocar-o-foda-se. Mas, previsões à parte, vou tentar me concentrar no que uma amiga disse: "As coisas não são assim tão cíclicas. Elas não precisam se repetir sempre."

Mais uma semana começa, quente como o inferno aqui nessa cidade que ameaça mas não chove, e eu vou levando sem pensar muito sobre nada. Em grande parte porque não há nada a ser pensado. Uma amiga vai pra fora do país hoje, sem muitas previsões de volta e eu sei que deveria tê-la procurado e feito algo pra transformar isso num dia especial, mas simplesmente era mais fácil ficar parado. Ontem eu tive um dia inteiro pra estudar, e antes disso o fim de semana inteiro, e antes ainda toda a semana anterior. Mas eu resolvi não estudar. Resolvi ficar sentado vendo o tempo passar. Por que? Não sei, porque eu podia, porque era mais fácil, imagino.

Voltei a ver muitos filmes seguidos, de novo. Nada obsessivo... ainda. Vi Tank Girl esses dias e, rondando o imdb, me impressionei com a quantidade de críticas negativas que vi sobre o filme. Eu adorei. Tosco, exagerado, desleixado, cheio de piadas sem graça, gritando começo dos anos 90. Apesar de nunca ter lido a revistinha, era exatamente o que eu esperava. Adoro esse clima 90's... tão mais divertido do que o overhyped (e megapowerbrega) anos 80.

OBS: Uma semana e contando... *medo*
OBS2: Não consigo me desfazer da sensação de que tô meio sozinho por aqui, não acha? ...acho.

sexta-feira, 9 de março de 2007

weeks are slow, days drag on...


Literalmente me arrastando nesse resto de semana... e pelo jeito a próxima não vai ser muito diferente. Mas tudo bem, todo novo dia vivido é válido. Se não tanto pelo que eles são, talvez pela esperança do que eles possam vir a ser...

Essa minhas quartas de descanso realmente vieram a calhar nesse semestre, é como um mini-fim-de-semana no meio da semana. Só tenho que aprender a aproveitar isso tentando relaxar, se não ela só se torna algo extremamente frustrante... como foi o caso dessa última. A madrugada de terça pra quarta até foi legal, apesar de acabar mais uma vez com minha rotina, foi uma noite quieta de xadrez, cerva e morgação. O problema mesmo é que passei a quarta tentando dormir e não consegui por causa do marceneiro que escolheu o dia errado pra vir consertar todas as malditas portas da casa e fazer um estardalhaço no processo.

Mal acordei, já de noite, e me chamam pro bar. Tudo indicava um grande "não", mas não teve jeito, me deixei levar mais uma vez e me arrependi, pra variar. Não só porque cheguei tarde, bêbado e tive que aguentar a aula mais chata da semana com uma leve ressaca, mas mais porque me fez perceber o quão desinteressante eu sou pro povo com quem saio pra beber normalmente... é como se eu mendigasse por companhia. Sempre coadjuvante, tentando preencher uma solidão com álcool e alguns minutos de atenção. Sempre as mesmas conversas, sempre nos mesmos lugares. Eu não preciso disso.

Voltei da aula e dormi demais, mas mais uma vez acordei como se não tivesse sido o bastante. E não sei bem o que aconteceu depois porque fiquei sentado por volta de umas 8 horas seguidas sem fazer praticamente nada, só criando raiz. Bom, pelo menos acabei conhecendo uma pessoa legal. Fui pra aula hoje realmente arrastando meu saco, e só faltei escrever na testa que não queria ver aula. Fiquei perambulando, comendo, fingindo que fazia o mesmo exercício durante a aula toda e corri pra pegar um ônibus e me trancar aqui o mais rápido possível. Ah, uma menina vomitou no ônibus. Estranhamente é a segunda vez que vomitam no ônibus que eu tô nessas últimas duas semanas o.O

Agora preciso estudar porque tenho prova, mas sei que não vou. Um saco esses universitários empolgados. O professor da OUTRA turma marcou uma aula de reposição pra turma dele no sábado e metade da minha sala vai... como assim?! Esse povo não tem mais o que fazer? Bom, eu não tenho e mesmo assim não iria nem que me pagassem um sorvete de flocos.

Doce cama...

terça-feira, 6 de março de 2007

how much longer 'till I hit the ground?


É isso que eu vejo da minha janela todo dia quando levanto pra ir pra aula. É revigorante, eu tenho que confessar. Às vezes não durmo ou tento acordar bem cedo só pra poder ver o mundo me desejar bom dia ao vivo e a cores.

Ultimamente não tem sido o bastante. No final da última semana eu simplesmente não conseguia parar de dormir. Era só me encostar em algum lugar e inevitavelmente tava dormindo depois de uns minutos. Dormia mais de 12 horas por dia e não é como se me sentisse triste nem nada, eu simplesmente não tinha ânimo pra ficar acordado o tempo todo. Ontem, tão de repente quanto isso começou, não consegui dormir. Fui dominado por um ansiedade que simplesmente não se cansava de existir. Eu tenho muito pra fazer, muito pra ler e refletir, pra experimentar e não tenho tempo suficiente mesmo que nunca mais dormisse.

Eu não sei o que tá acontecendo. Não tenho dúvidas de que meu corpo tem tentado me dizer algo com todo essa irregularidade que parece até externa a minha vontade. Eu só não entendi ainda o que é, o que há de errado de verdade.

Amanhã vou começar a saga que pretende ser meu pesadelo particular desse ano: arrancar meus sisos. Parece que vai ser só um reconhecimento de território básico, mas da última vez que fui ao dentista achando que era só uma conversa e uma olhadela rápida nos dentes acabei fazendo uma limpeza completa e quase saí correndo no meio da consulta. Dessa vez vou pronto pro que vier.

O semestre na faculdade começou antes do que devia mesmo. As faltas que achava que não iam fazer diferença agora no começo do semestre já começam a me atormentar. Descobri que tenho um trabalho pra ser entregue na quinta e fui tentar fazer. Não só descobri que não sei responder nenhuma das nove questões, como não faço a menor idéia do que tratam. Mais um semestre pra passar me arrastando... yay!

sexta-feira, 2 de março de 2007

¬¬ - Situações inusitadas nas quais você considera ir ao inferno

Chega o entregador de pizza na sua casa, porém. Ele traz o inferno consigo, e num invólucro térmico, pra não perder nemmmmm um kijoule de potência e nem uma maldita caloria de calor!! Torreeeeee, baby, torreeeeee!

1) Briga. Eu tô virando mediador entre dois loucos em casa.
2) Briga. Porque diabos minhas situações pessoais são um lixo? R.: Bem simples, imbecil, você neglicencia até onde dá. Blergh, não me culpe por isso. ¬¬
3) Falta de grana.
4, e principal:

POR QUE DIABOS TODAS AS MINHAS AMIGAS SE APAIXONAM POR CARAS QUE ELAS MESMAS CHEGAM DEPOIS E FALA "Ah, ele me lembra você..." !??!!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!??!!!??!?!?!?!
¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬ ¬¬

*se mata*
¬¬

Se mata porra nenhuma, se atropela com uma britadeira, prega o pinto numa cruz e vai se pendurar numa estátua até cair. Ou tentar cometer suicídio no laguinho do pátio brasil.
Puta que pariu, eu devo ter negado comida ao buda pra essa merda toda acontecer de vez em quando. Ah, caralho, alguém me arranje uma chibata, cristãos me chicoteiem...!!!

O ato de se amar.

      Hoje eu fiquei louco. Louco mesmo, sabe. Louco de paixão.
      Eu olhei aqueles cortes dolorosos que meu braço tem, e estranhamente, deu vontade de acariciá-los. Estranhamente, como alguém que nota a dor que transpõe a pele; os cortes não eram de fora pra dentro, mas sim de dentro pra fora, como pequenas fraturas que saiam de um todo já deveras rachado. Não eram influências, mas sim exfluências que me afluiam, que me transbordavam, irrompendo a barreira de minha pele como símbolo de uma dor.
      E acariciei-os. Me permiti em carícias mil em cortes que pouco doiam, mas que estranhamente eram de uma textura peculiar. O rosto masculino não abrange pontos lisos, dada a maldição que lhe rompe os poros com sua proteína morta e grossa. Mas o que falta em bochecas e lábios talvez sobre em outros pontos do corpo. Senti aquela pele lisa e macia contra minhas digitais, contra a palma da mão, contra as linhas dos dedos... Como que finalmente me dando conta de uma dor que me rompia em dois, em três, em quatro, em mil cacos, cacos coesos apenas por uma leve desconexão que transborda pele fora e olhos adentro, tal como qualquer um que me olhe saberá. E enfim ia perdendo um pouco de minha essência corpo afora, não como uma doação mas também como alguém que recebe de volta, no círculo infindo da serpente que se perdeu em sua própria sensação, na circunferência infinita que se alimenta; eu, eternamente esvanecendo dentro daquelas linhas abertas... Era a perfeição.
      ...e de carícias surgiu então o primeiro beijo. Não um beijo lascivo, perdido em paixões laranjas, mas um beijo de carinho imenso. Um beijo de cuidado, um beijo de preocupação, um beijo proibido, mas não proibido pelo pecado, mas sim pelo gostar de si, ato proibido de nosso mundo, ato não permitido, que torna à pessoa mais pessoa, que torna ao humano mais humano na ligação que estabelece com um outro. E eu naquela hora era meu próprio espelho, meu próprio espelho dágua que refletia não uma imagem desamparada e ferida, mas sim uma imagem rejubilada e vibrante, de alguém que se achava na ponta dos lábios, com suas linhas traçadas em dor e verdade, em cada ponto sensível da pele vermelha e prenha de sensualidade literal e impudica, em cada ânsia proibitiva que ia aflorando daquela pele. Era pior do que meramente amar e cuidar de alguém, era se amar, se desejar, querer se dar todo o cuidado do mundo, desejar realmente ser pleno em si mesmo, e não se importando se isso seria insanidade ou não...
      E de carícias sem malícia e desprovidas de paixão que não amor pueril, logo surgiram as segundas e terceiras intenções, como que algo que ia me tomando de vontade e logo era apenas naquilo que eu poderia pensar. A textura lisa e convidativa daquele níveo epitélio delgado, a maneira gentil que aquela pele tenra chamava sua dor, a forma triste e desamparada, minguada, que aqueles cortes gritavam haver por detrás de seus rombos, não deixavam dúvida senão uma sensação enormemente insana de tomar de carinhos e paixão a uma pele que convidava e atiçava, e não, não sobravam dúvidas, eu desejava àquela parte e a mim mesmo o maior prazer já visto, sem malícia e ainda assim tomado por ela, como se se erguesse, como um novo território do poder secular numa zona onde o vácuo da ciência política ditasse uma nova área erógena, um novo ponto sensível, um novo local que não gritasse, mas sim suspirasse levemente de maneira singela um convite nada obsceno, mas sim livre de pecado original, mas sim perfeito e auto-contido; circunspecto... E foi naquela perfeição, naquilo que foi feito até o fim, que eu sabia... Eu estava amando uma parte de minha vida, a simbologia máxima de mim e de minha dor e liberdade; minhas cicatrizes tenras de uma pele abatida e torturada, mas que ainda assim regozijava-se em cada talhada da faca... E aquela pequena parte desprotegida era tudo que eu precisava para saber; estava louco, como qualquer padre me excomungaria e qualquer par numa sala de aula olharia estranho, e eu lá, com lábios rosas de paixão e olhos nublados de prazer, a saciar e provocar uma ânsia em mim mesmo, uma ânsia que nem em meus momentos mais indiscretos eu fui capaz de transpor a uma pele alheia, de meninos e meninas, de pessoas e humanos em geral, e essa ânsia era só minha, minha minha e minha, e nada que mais ninguém jamais fosse conhecer, talvez...
      Eu terminava esse relato em êxtase, e retornaria a minha paixão e narcisismo para me embeber em loucura e torridez, pois não mais suportaria a vontade e a ansiedade de fazê-lo. Minha loucura passou, deixada em registro para que talvez me julguem ou eu me lembro disso, quando daqui a vinte anos casado estiver com Shiho, minha amada que reside em minha vida. Eu me descobria dois, talvez, mas também era uno e nessa unidade, ninguém me tiraria, pois eu estava completamente feliz e completo naquele momento; gostaria muito que mais pessoas dividissem dessa completude perfeita. E nisso, nessa conversa altamente suspeita, nesse fator altamente pervertido e puro, de pureza execrável pelo mundo dos incompletos, eu termino um relato da maior beleza jamais experimentada. Sim, pois a paixão invade até mesmo àqueles que não têm ninguém além de si próprios. E acredite, essas pessoas talvez experimentem completudes tão maiores do que perdidos apaixonados, pois são donas de si mesmas, e não meros perdidos sem posse daquilo que mais deveriam prezar...

Brasília, 24/02/2007, 05:41Pm
Revisões subsequentes até o momento: Brasília, 02/03/2007, 05:52Pm

Ps.: Seria isso trair a minha amada Shiho?